Escrever Para Viver

Escrever Para Viver

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. (...) Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!" - William Shakespeare                

no precipício ~ #

Depois de muito refletir, abracei uma decisão que caiu no meu colo de paraquedas. Eu chorei, eu gritei e lutei por ela. No final, venci os outros, mas perdi para mim mesma. 

O que é ter um sonho? Esbarrei contra essa pergunta e não consegui responde-la. Era uma questão difícil, talvez porque meus ideais até aquele momento eram de natureza fraca e refutável, ou por pura incompetência e inércia da minha parte. 

Eu vislumbrei um longo caminho, calcei meus sapatos mais resistentes e iniciei minha jornada. Eu tinha as ferramentas necessárias, um elixir de coragem na bolsa e uma dose de motivação em baixo do meu chapéu. A cada passo que eu dava, mais longe o fim do túnel ficava. Estava escuro e o local cheirava a podridão. Mas o cansaço nem ousava desafiar-me, eu era forte e tinha garra. Meu corpo estava pesado quando passei pela primeira porta, ao olhar para minhas pernas, vi espíritos agarrados nelas. Com o que restava da minha coragem, arranquei-os e adentrei em outra porta. 

Cheguei ao local que tanto almejava, e o que aconteceu? Abri meus olhos lentamente para luz e descobri que o pote de ouro, que estava no final do arco-íris, não era da cor que eu queria. Não brilhava do jeito que eu imaginava. Tampouco tinha o sabor de vitória, e sim o amargo néctar do vazio. Eu o devolvi no mesmo local, deixei-o lá e fui embora para a minha vidinha mesquinha que me aguardava de braços abertos. 

Muitos dizem que para a realização de um “sonho” basta ter força de vontade e muita garra. Mas o que é um sonho? Como ter certeza do que querer e do que correr atrás? Por essas e outras incógnitas o mundo é dividido entre os deuses do sucesso e os fracassados. Não pretendo responder nenhuma, pois não tenho vocação para escrever textos de auto ajuda. 

A vida é fácil, nós é que somos os difíceis. Sabotamos a nós mesmo e choramos depois. Para a realização de um sonho, antes de ter garra, é preciso descobrir se aquilo era realmente um sonho. Como descobrir? Peça ajuda ao destino ou a sua mente, não aguarde respostas de terceiros. Pois os “terceiros” também são humanos. E antes de perder tempo seguindo o conselho de um ser imperfeito, concentre-se em descobrir duas questões: “Quem sou eu? O que eu quero?” 

Só o digo, se você se equivocou e achou pote de ouro errado, não tema, coloque-o de volta no lugar e procure pelo seu. Muitos já passaram pela mesma situação. Levante a cabeça, use o cérebro e pense de novo, batalhe de novo. Esqueça o tempo, nunca é tarde para fracassar. Por mais que queiram esfregar-lhe o contrário, sempre é tempo de ver o seu sol brilhar. 

- Bia Arantes  


Era estranho. Muito estranho. Em meio a um clima clichê de festas juvenis, estava eu pulando feito uma maluca na pista de dança. A música batia em minha pele e me dava choques elétricos, emaranhava-se pelos meus fios de cabelo e os deixava armados. Eu não estava nem ai. Naquele momento, via-me desligada do mundo. Nenhuma sensação ousou escorrer pelo meu corpo, a inércia me contemplava em absoluto.

No fim, talvez eu achasse gostoso. Mas nada era mais deliciosamente erótico do que saber que o garoto dos meus sonhos estava perto de mim. Tão perto que, de longe, eu sentia o calor que emanava dele. Entretanto, o fulgor que me fazia delirar em outros dias, não estava fazendo efeito naquele instante. A bebida, que ele próprio me servira, era mais forte, dominando meus pensamentos.

Meus neurônios também balançavam ao som da noite. Pessoas caindo de um lado, indivíduos vomitando de outro. E eu? Apenas me mexendo. Eu não conseguia mais parar, era mais forte do que eu. Meus pés tinham vida própria e não me obedeciam.

Em um lampejo de consciência, dei-me conta que não demoraria muito para me buscarem daquele antro de perdição. Consegui me afastar da música profana e descansei em outro cômodo. Por que não ir para fora esperar minha condução? Eu queria que me chamassem. Eu queria que Ele procurasse por mim.

Uma voz ecoou pela minha mente, meus ouvidos voltaram-se somente a ela. O som era grave, exigente e indescritível. Virei em direção do indivíduo. Ele. Ele realmente procurou por mim. Como nos meus sonhos… Como nos meus sonhos ele se arrastou pela multidão e, avistando o brilho da minha paixão, descobriu-me no escuro.

Bela noite. Eu mendigaria ao som do luar quantas vezes fossem necessárias. Aquele fora só um começo. Eu me perderia de novo e de novo, e ele me encontraria de novo e de novo.


Facas afiadas descansavam sobre a mesa da luxuosa cozinha. O brilho delas era contagiante e hipnótico, convidando uma doce menininha que lá próximo estava a chegar mais perto. Ela sorriu, concentrou seus olhos azuis nos objetos e, num piscar de olhos, já estava com uma das facas nas mãos. 
Ela passou delicadamente a ponta dos dedos do lado cortante. Viu com extremo prazer sua pele ser machucada. Era maravilhoso. Forçou e obrigou o movimento, que antes era delicado, a ficar mais ríspido, arrancado sangue dela própria. Sorrindo deslizou a faca para o seu joelho, fazendo delicados cortes profundos em linha reta, com total preocupação a simetria. Passou para o outro joelho repetindo o mesmo processo. Com movimentos sensuais, arranhou toda a sua perna. 
A faca estava toda respingada de sangue. Será que era gostoso? Ela indagou a si mesma. Sem muito pensar, aproximou seu rosto da lâmina, lambendo-a. Sua língua se cortou e um pedaço do seu lábio superior foi prejudicado. Agora sua saliva salgada a atormentava, e isso tornava tudo infinitamente melhor. Boa ideia! Caminhando com dificuldade graças ao seu joelho, pegou o saleiro e tacou sal em todos os machucados. Ardeu e doeu, provocando sensações que ela nunca pensara existir.
Ela se deixou levar pelo pranto da dor. Mesmo assim era bom, muito bom. Ela não escutava mais sua alma chorosa, pois seu corpo era mais forte. Não existia mais problemas, mais brigas e nem desilusões. Pessoas más não a atormentavam, ela mesma não se atormentava. Momento esplêndido, tudo seria perfeito se fosse eterno…
Com a outra faca limpa que jazia ainda entocada pela garota até aquele momento, a jovem se concentrou em cortar seus pulsos. Ela riu, como nunca rira em toda sua vida. Seu corpo caiu morto no chão convulsionado em espasmos de prazer. O sangue dominou o chão branco, contaminando-o com o ódio que corria naquelas veias imundas. 
Ela morreria. Simplesmente morreria E com a absoluta certeza que ninguém se preocuparia, o espírito dela desceria ao inferno. Ficaria por toda a eternidade queimando em chamas, mas não se arrependeria em nenhum segundo. Qualquer coisa era melhor do que aquela casa. 
Lá fora, uma fina garoa chorava por ela. O sol se escondeu enquanto os últimos sinais vitais se esvaiam. Tarde demais. Tarde demais. 
Facas da morte, facas da vida. Cortes profundos já viam sendo feito dia após dia na alma da menininha, o que morrera naquele dia fatídico fora só a casca. Meras formalidades de um dia solitário de domingo, nada mais. 
- Bia Arantes 

Facas afiadas descansavam sobre a mesa da luxuosa cozinha. O brilho delas era contagiante e hipnótico, convidando uma doce menininha que lá próximo estava a chegar mais perto. Ela sorriu, concentrou seus olhos azuis nos objetos e, num piscar de olhos, já estava com uma das facas nas mãos. 

Ela passou delicadamente a ponta dos dedos do lado cortante. Viu com extremo prazer sua pele ser machucada. Era maravilhoso. Forçou e obrigou o movimento, que antes era delicado, a ficar mais ríspido, arrancado sangue dela própria. Sorrindo deslizou a faca para o seu joelho, fazendo delicados cortes profundos em linha reta, com total preocupação a simetria. Passou para o outro joelho repetindo o mesmo processo. Com movimentos sensuais, arranhou toda a sua perna. 

A faca estava toda respingada de sangue. Será que era gostoso? Ela indagou a si mesma. Sem muito pensar, aproximou seu rosto da lâmina, lambendo-a. Sua língua se cortou e um pedaço do seu lábio superior foi prejudicado. Agora sua saliva salgada a atormentava, e isso tornava tudo infinitamente melhor. Boa ideia! Caminhando com dificuldade graças ao seu joelho, pegou o saleiro e tacou sal em todos os machucados. Ardeu e doeu, provocando sensações que ela nunca pensara existir.

Ela se deixou levar pelo pranto da dor. Mesmo assim era bom, muito bom. Ela não escutava mais sua alma chorosa, pois seu corpo era mais forte. Não existia mais problemas, mais brigas e nem desilusões. Pessoas más não a atormentavam, ela mesma não se atormentava. Momento esplêndido, tudo seria perfeito se fosse eterno…

Com a outra faca limpa que jazia ainda entocada pela garota até aquele momento, a jovem se concentrou em cortar seus pulsos. Ela riu, como nunca rira em toda sua vida. Seu corpo caiu morto no chão convulsionado em espasmos de prazer. O sangue dominou o chão branco, contaminando-o com o ódio que corria naquelas veias imundas. 

Ela morreria. Simplesmente morreria E com a absoluta certeza que ninguém se preocuparia, o espírito dela desceria ao inferno. Ficaria por toda a eternidade queimando em chamas, mas não se arrependeria em nenhum segundo. Qualquer coisa era melhor do que aquela casa. 

Lá fora, uma fina garoa chorava por ela. O sol se escondeu enquanto os últimos sinais vitais se esvaiam. Tarde demais. Tarde demais. 

Facas da morte, facas da vida. Cortes profundos já viam sendo feito dia após dia na alma da menininha, o que morrera naquele dia fatídico fora só a casca. Meras formalidades de um dia solitário de domingo, nada mais. 

- Bia Arantes 


Madrugada. Linda madrugada, chega faceira e em seu frio usual traz a tona a dor do vazio. O eco das almas feridas se torna audível. Meu corpo é o que mais grita e agoniza desesperado, implorando a sua presença. Eu sei que não sou digna de ti em nenhum aspecto, mas meu egoísmo fala mais forte. Por isso, por onde você passa, vou atrás recolhendo migalhas de sua atenção. E assim vivo, de restos. Um abraço resolveria tudo, contentaria-me até mesmo em me perder em suas doces palavras.

Muitas partes do meu ser estão faltando. O que uma pobre aleijada poderia oferecer? Nada. Contudo, eu não consigo me completar, o restante do meu quebra-cabeça está com você. Sua figura oferece minhas peças para outras sem nenhum pudor, não tem vergonha? Eu sei que não.

Suspiro, choro, grito, choro, entrego-me ao desespero e choro. E você, mesmo estando ao meu lado, não pergunta sequer o que me aconteceu.

Eu me odeio, eu me odeio porque você me odeia. Lancei-me ao abismo da solidão, salve-me. Salve-me. Sozinha eu não consigo. O amor me cegou, arrancou meus braços e minhas pernas. Estou em estado vegetativo, sonhando todas as noites com você. Acordando em todas as madrugadas e sofrendo, em prantos, só por você.

Você me deu a vida, deu-me a morte. Balançou a felicidade diante dos meus olhos e, depois, a engoliu. As palavras, as belas palavras ainda são minhas, e, nestas frases, ofereço-as a você. Agora só me resta a vontade de estar contigo.

Salve-me! Quero me afogar no desejo e na ilusão presentes em seu coração. Em meu pranto não. Em meu pranto não.

— Bia Arantes


Jogue as mãos para o alto, deixe o vento fazer você voar e vamos viver de sonhos! Cansei de caminhar seguindo a linha da perfeição. Irei entortar todas as regras e ser feliz. Não digo somente das regras que a sociedade usa para estapear a minha face, mas de todas as regras. Principalmente àquelas que eu imponho a minha própria figura.

Se pudesse, viveria nua. Sem vergonha, sem hipocrisia, sem intelectualidade, sem preocupação, ou seja, nua.

Empurraria meu orgulho para o lado esquerdo, meus medos para o lado direito, e traria você para mim, meu bem. Ninguém seria capaz de nos criticar, pois seriamos os dois alienados. Alienados apaixonados.

Tentar ser aceita? Nem. Que diversão teria? É mais sexy grudar na sua mão e te arrastar a uma ilha deserta. Mas você não me quer, ignora-me descaradamente. Eu faria tudo por você, conseguiria reter amor por nós dois.

Entretanto, se você não me fala “oi”, não posso dizer “te amo.”

Ignora-me. Ignora-me. Ignora-me.

Malvado!

— Bia Arantes


Não consigo definir em palavras o que estou sentido, tampouco consigo guardar estes turbilhões de emoções dentro do meu peito. Falaram-me tantas vezes dos meus defeitos, ressaltaram em diversos momentos a minha inutilidade, que eu me aceitei como um individuo sem valor. E, hoje, eu realmente não valo nem um tostão. Se me jogarem na sarjeta, lá ficarei. Não tenho mais forçar para sair do lugar, então que me lancem aos porcos, não importa. 
Eu já cansei de gritar, minha voz afundou-se no mar de hipocrisia que me envolve. Escrevo com a esperança de conseguir desabafar, mas as palavras não são tão forte a ponto de atravessarem a parede de cacos de vidro que envolve meu coração amargurado. 
O que fazer então? Chorar para vocês, fieis leitores. Compartilhar da minha dor e ajuda-los, de alguma forma, a não serem como eu. O medo e a covardia andam de mãos dadas em prol de infernizar meus sonhos, entretanto não fugirei mais deles. Reterei todas as lágrimas do mundo em minha ferida aberta, e abraçarei os que sofrem. 
Portanto, quando estiver triste, não lamente, eu farei esta tarefa sórdida por você. Levante a cabeça e enfrente o mundo! Busque sua independência, abra suas asas para o céu azul. Um ser humano lindo está tentando, neste momento, decifrar este texto confuso. Mas não se atenha aos mínimos detalhes, compreenda o “todo.” E o que é o todo? O todo é o fato de você ser melhor do que eu. Ignore a preguiça e os seus fantasmas e vá viver! As pessoas que insistem em ter por para baixo, não valem nada. Esqueça a velha história de que é feio pisar nos outros, não é feio nada. Pise em cima dos seus inimigos e faça deles os degraus necessários ao seu sucesso. 
E, enquanto isso, chorarei, sofrerei, sentirei tudo em teu lugar. E no final, a minha alegria será contemplar sua conta bancária recheada e um sorriso em seu rosto. 
Capitalismo
Capitalismo
Capitalismo
Depois de gastar o que restou da sua felicidade, descobrir que não há ninguém melhor do que ninguém e que todos nós somos inúteis, volte, meu filho. Sente do meu lado e deixe seus olhos desabafarem junto a mim. Vamos alimentar o ciclo do desespero. Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Gaste, gaste, gaste. Eu te dei apoio moral, você conseguiu o tão almejado “sucesso”. E agora? E agora? O que será de nós? 
Nada…
a resposta é nada!
Desista, meu caro. Se a vida fosse boa, ela não estaria te levando todos os dias à morte. Apenas observe o mundo girar… a economia girar. 

Não consigo definir em palavras o que estou sentido, tampouco consigo guardar estes turbilhões de emoções dentro do meu peito. Falaram-me tantas vezes dos meus defeitos, ressaltaram em diversos momentos a minha inutilidade, que eu me aceitei como um individuo sem valor. E, hoje, eu realmente não valo nem um tostão. Se me jogarem na sarjeta, lá ficarei. Não tenho mais forçar para sair do lugar, então que me lancem aos porcos, não importa. 

Eu já cansei de gritar, minha voz afundou-se no mar de hipocrisia que me envolve. Escrevo com a esperança de conseguir desabafar, mas as palavras não são tão forte a ponto de atravessarem a parede de cacos de vidro que envolve meu coração amargurado. 

O que fazer então? Chorar para vocês, fieis leitores. Compartilhar da minha dor e ajuda-los, de alguma forma, a não serem como eu. O medo e a covardia andam de mãos dadas em prol de infernizar meus sonhos, entretanto não fugirei mais deles. Reterei todas as lágrimas do mundo em minha ferida aberta, e abraçarei os que sofrem. 

Portanto, quando estiver triste, não lamente, eu farei esta tarefa sórdida por você. Levante a cabeça e enfrente o mundo! Busque sua independência, abra suas asas para o céu azul. Um ser humano lindo está tentando, neste momento, decifrar este texto confuso. Mas não se atenha aos mínimos detalhes, compreenda o “todo.” E o que é o todo? O todo é o fato de você ser melhor do que eu. Ignore a preguiça e os seus fantasmas e vá viver! As pessoas que insistem em ter por para baixo, não valem nada. Esqueça a velha história de que é feio pisar nos outros, não é feio nada. Pise em cima dos seus inimigos e faça deles os degraus necessários ao seu sucesso. 

E, enquanto isso, chorarei, sofrerei, sentirei tudo em teu lugar. E no final, a minha alegria será contemplar sua conta bancária recheada e um sorriso em seu rosto. 

Capitalismo

Capitalismo

Capitalismo

Depois de gastar o que restou da sua felicidade, descobrir que não há ninguém melhor do que ninguém e que todos nós somos inúteis, volte, meu filho. Sente do meu lado e deixe seus olhos desabafarem junto a mim. Vamos alimentar o ciclo do desespero. Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Gaste, gaste, gaste. Eu te dei apoio moral, você conseguiu o tão almejado “sucesso”. E agora? E agora? O que será de nós? 

Nada…

a resposta é nada!

Desista, meu caro. Se a vida fosse boa, ela não estaria te levando todos os dias à morte. Apenas observe o mundo girar… a economia girar. 


Era inverno, o frio ameaçador seria capaz de enfrentar qualquer ser que quisesse desafiá-lo. Amanda, uma jovem de vinte e dois anos, parecia não ligar. Corajosa, estava andando de madrugada sem se preocupar com a temperatura ou com possíveis ladrões. Usava um vestido preto de grife, suas pernas bem torneadas estavam de fora. Não era do seu fetiche se lançar a tal perigo, mas, naquele momento, um desejo estranho que gritava em seu âmago a conduzia a casa de um estranho. 

Entretanto o homem charmoso e extremamente másculo — Dos olhos mais azuis que já vira — não lhe era tão desconhecido. Devia sua vida a ele. Um motorista bêbado iria atingi-la em cheio caso as mãos fortes dele não tivessem a agarrado. Ela ficara imensamente agradecida, eles trocaram telefone e endereço, porém nenhum contato havia sido feito desde aquele dia. Ou até aquele exato momento. 

Amanda, ao chegar ao seu destino, fez menção de bater na porta daquele luxuoso apartamento. Não havia passado pela sua cabeça que o seu herói fosse rico. 

— Olá, querida — Um sorriso malicioso jazia desenhado nos lábios de Fábio. Ele não a esperara ao menos bater para abrir a porta, parecia ter sentido a sua presença — Estava lhe esperando. 

Ela parou extática por um momento, o fitando. Ele estava sem camisa, o corpo forte, e a tez pálida contrastando com os alguns pelos escuros, que se estendiam mais a baixo até um lugar escondido e secreto, fascinaram-na. Um tempo depois, voltou a si e indagou envergonhada:

— C-como sabia que eu viria? — Aquilo seria um encontro sobrenatural? Ou ele seria um psicopata maluco almejando fazer um tangran com o seu corpo? 

Ele riu.

— Eu não sabia. Você se apresentou ao porteiro para ele lhe deixar subir,  não foi? Então…

— Ah, tá — Ela tentou rir sem sucesso — Eu só… Só passei para ver em que lugar você… Você morava. 

— Eu sei que é mentira, pequena. — Disse com a voz rouca, aproximando-se lentamente.

Próximo ao ouvido dela ele sussurrou: 

— Eu também menti. Eu sabia que você viria bem antes de te conhecer. — A jovem arregalou os olhos, e antes que pudesse raciocinar, foi puxada para dentro do apartamento dele. 

Fábio a empurrou contra parede, enfiando a mão em seus cabelos loiros e buscando seus lábios com uma fome mortal. Ela tentou relutar, mas apenas conseguiu entreabrir sua boca que, naquele momento, implorava para ser explorada e saciada de todas as formas. A língua dele buscava a dela em meio a um ritmo sensual e erótico que os conduziam ao paraíso e ao inferno. Era como fazer amor, ou melhor, sexo selvagem. Ela queria absorver o gosto dele, do beijo dele, do corpo dele, e guardar para sempre em seus sonhos mais molhados.  

Read More


Depois de escutar por várias vezes a música que intitulei repertório do nosso amor, apego-me a presunção de achar que você talvez estivesse fazendo o mesmo, ou que ao menos meu nome tenha passado fugazmente pelos cantos estreitos e de difícil acesso dos seus pensamentos.

Ah, meu bem! Amo-te todas as horas e todos os segundos do dia, com ou sem melodia ao fundo para embriagar meus devaneios. Eu te amo de todos os jeitos e de todas as formas, por todos os lados e por todos os pontos de vista. Quando estou com você, meu medo e minha timidez se esvaem, sinto-me completa e segura, embora estranhamente desconfortável. Eu quero te abraçar, proteger-te e retribuir todo o bem que você faz em minha vida. Vamos compartilhar nossos corpos e deixar a vida mais colorida e cheia de emoção? Explore minha pele com teus beijos que eu desvendarei tua alma. Nossos espíritos serão um só e dançaram pela eternidade a nossa canção.

Eu estou ai com você, sempre estive, meu amor não te largará jamais, acostume-se. Nada de sofrimento, dor ou lágrimas, apenas doces sonhos farão parte da nossa futura história de amor. Eu preciso de você. Preciso só de você. Não dá pra resistir ao teu amor, você me olha assim, baby, eu vou.  

Escute o que diz a música! Ela foi feita para o nosso amor! Notas musicais criadas por anjos, seda pura revestindo nossa paixão. Talvez seja apenas ilusão, mas acredito com extrema convicção no que diz meu coração. Seriamos perfeitos juntos. Renda-se, meu bem, repouse sua cabeça em meu colo venha escutar nossa canção.

Não dá pra resistir ao teu amor, você me olha assim, baby, eu vou. Não dá pra resistir, preciso ter o seu amor…


 Bia Arantes


Inspirada na música “Não dá pra resistir” Rouge. 



Se eu pudesse, guardaria todas as minhas lembranças ruins em uma pasta amarela. Não estou me atendo ao significado da cor, mas no que ela me faz sentir. Uma cor primária e quente, entretanto, para mim, fria e secundária. Não me desperta emoções fortes, tampouco é a minha primeira opção na escolha de uma roupa ou objeto. Dizem os estudiosos que o amarelo estimula o intelecto… Este deve ser o problema, raciocino lógico me dá sono e nunca consigo terminar aqueles benditos testes de QI. Sim, modifiquei significados científicos nestas analogias simplórias, e tenho a real consciência deste fato. Mas, deixando a filosofia de lado, concentrar-me-ei nas lembranças.  

O fato de eu querer guardá-las em um lugar que não me desperta emoção se deve unicamente a motivos que atingem a maioria. Para que deixar ao meu alcance e no meu local preferido o que me faz sofrer?  E o pior sofrer novamente. É como guardar baratas no pote de bombons. Contudo, sempre fui muito ligada ao passado, sou capaz de entrar em um pranto emocionado ou sorrir como uma louca com as minhas lembranças de infância. E o que é ruim me consome. Sensibilidade infelizmente é o meu forte. Sou aquática, sou pisciana.

Ter a mente fresca é essencial. Nós, assim como os computadores e demais tecnologias similares, não possuímos uma memória infinita. Nossa mente precisa ser desfragmentada e renovada todos os dias. Então por qual razão, motivo e circunstância, eu irei enchê-la com trivialidades melancólicas e enraivecidas? Para me vingar das pessoas que me fizeram mal? Para jogar-me contra parede lamentando meus atos? Talvez. Contudo, estou me livrando dessas barbáries. Por isso, se eu pudesse, guardaria todas minhas lembranças em uma pasta amarela cor de nada e a jogaria no mar, juntamente com as minhas angustias e dores.

As águas levariam esta coisa amarela, e em seu falso azul – minha cor preferida -, resgatariam minha tranquilidade.  


— Bia Arantes 


Estou tão feliz que fiz da tristeza a minha melhor amiga. Eu e o sofrimento somos um só, e a dor virou inquilina eterna da minha alma. Bem acompanhada e inutilizada sigo com o meu projeto de vida. Que me atirem pedras, julguem-me pecadora, depressiva, melancólica, mas sou assim, quero ser assim. Ou melhor, que não me julguem. Críticas e conselhos disfarçados são cruéis, constroem sorrisos em bocas erradas e não ajudam em nada.  
“Viva a vida e morra na morte” inverterei esse falido sistema e, finalmente, descansarei.  A estrada é longa e bela, caminho sem parar. Atirar-me-ei no primeiro abismo, e ele minha paz devolverá. 


O sangue é doce e tem gosto de paraíso. 


- Viva a vida e morra na morte
- Viva a vida e morra na morte
- Viva a vida e morra na morte

E se eu não quiser? 




— Bia Arantes 

Estou tão feliz que fiz da tristeza a minha melhor amiga. Eu e o sofrimento somos um só, e a dor virou inquilina eterna da minha alma. Bem acompanhada e inutilizada sigo com o meu projeto de vida. Que me atirem pedras, julguem-me pecadora, depressiva, melancólica, mas sou assim, quero ser assim. Ou melhor, que não me julguem. Críticas e conselhos disfarçados são cruéis, constroem sorrisos em bocas erradas e não ajudam em nada.  

“Viva a vida e morra na morte” inverterei esse falido sistema e, finalmente, descansarei.  A estrada é longa e bela, caminho sem parar. Atirar-me-ei no primeiro abismo, e ele minha paz devolverá. 

O sangue é doce e tem gosto de paraíso. 

- Viva a vida e morra na morte

- Viva a vida e morra na morte

- Viva a vida e morra na morte

E se eu não quiser? 

— Bia Arantes 


theme modificado/adaptado por querida solidão; baseado no theme da e-n-s-e-j-o-s e xantheose